Riscos difusos de ciclos assumidos

Assumindo todas as dúvidas e investindo em todos os riscos. Ou seria o contrário?

Há mais ou menos um ano eu comecei esse negócio de ter um blog pra chamar de meu. Lembrei disso em um momento em que pensava em como a vida é cíclica, e como as coisas se repetem e acontecem quando a gente menos espera. Há mais ou menos um ano eu vivia uma situação mais ou menos parecida com a que vivo hoje, com dúvidas mais ou menos do mesmo tipo, e certezas mais ou menos raquíticas. Mais ou menos como eu vivo nos dias atuais. A simples ideia de ter um blog sempre me assustou.

Eu já comentei sobre isso em outros momentos, até já escrevi sobre isso. Mas a ideia de ter um blog e dificilmente atualizá-lo é algo que eu nunca tinha pensado. E lembrei que quando eu criei esse blog eu pensei algo assim: vou usar para qualquer coisa. Vou escrever sobre o que me der na telha. Xingar muito no twitter, elogiar uma iniciativa legal, falar de futebol, contar sobre as minhas ideias que parecem fantásticas, mas que no mais das vezes fracassam miseravelmente. E até das minhas ideias que parecem fadadas ao insucesso e se revelam ótimas, porque isso de vez em quando também acontece. Só que não foi bem assim. Que bom! Porque olha só: cada vez que eu leio sobre a Arena do Grêmio ou vejo fotos da obra, me dá um sentimento meio dúbio.

Eu fico muito feliz e satisfeito com o fato do meu time ter um estádio novo, um estádio moderno, seguro e bonito. Eu já tenho uma cadeira reservada nele. Mas me dá uma pequena ponta de tristeza a cada jogo que eu assisto no velho Olímpico. Pensar que ele será destruído me dá uma certa melancolia. Um sentimento de perda. Não sei explicar. E tem mais: ser ágil não é necessariamente ser rápido.

É que as pessoas pensam que quando se aplica métodos ágeis (ou, vá lá, algumas práticas ágeis), as coisas vão ser feitas mais rapidamente. E não é bem assim. Não há milagre. Há sim a necessidade de uma mudança interna das pessoas para que encarem seu trabalho de outra forma, e se insiram em um time com responsabilidade e comprometimento. E eu queria muito saber tirar fotos.

Eu tenho tirado fotos de coisas. Objetos. Quando me dá vontade, eu vou lá e clico. Eu tenho tirado fotos dos jogos a que eu compareço no Olímpico. Fotos meio bobas, mas que são as que eu consigo. Eu queria ter a sensibilidade de um bom fotógrafo, capturar imagens que tiram o fôlego de quem olha, mas não tenho. Mas isso não me impede de tirar fotos. Enquanto eu não consigo aprender a ponto de participar de uma exposição no MARGS, eu vou fazendo como eu sei. E eu tenho amigos.

Os melhores. E isso é simplesmente fantástico. E o mínimo que eu posso fazer é ser o melhor amigo que eu puder ser. Sempre e simples assim e basta. E como eu tenho ouvido músicas!

Músicas de todo tipo. Tenho descoberto novas bandas, novos sons. Revisitado músicas que eu gosto mas que eu não ouvia há muito tempo. Como isso é bom. Tenho lido muito também. Livros que me fazem pensar. Livros com conteúdo, não técnicos. Livros que abrem a mente, que expandem horizontes. Que eu não conhecia, mas que são agora indispensáveis. Que são bonitos, enfim. E vi que eu preciso de umas oito vidas para ler tudo que eu quero, todas as coisas belas que há para ler. E para ouvir todas as músicas que há para ouvir. Porque eu tenho um novo objetivo de assumir riscos.

Não se trata de me tornar um inconsequente. Mas sim de assumir que as coisas estão ocorrendo à minha volta e que se eu não estiver aberto para permitir que o universo atue em meu favor, ele não conseguirá fazê-lo. E isso significa assumir meus riscos. Eu tenho medo do que pode acontecer, mas tudo bem. O medo faz parte do processo, significa que eu não estou louco. Mas eu supero o medo e estou seguindo em frente. E o legal tem sido o quanto eu estou aprendendo com isso. Fiz um curso sobre futebol.

Sim, um curso sobre gestão e negócios de futebol. Em uma escola muito diferente do que eu já havia frequentado. O curso extrapolou todas as expectativas e tratou de temas que são relacionados com o futebol e também com a vida em geral. Com o modo como as coisas ocorrem em equipes e times e como as coisas são relacionadas. E digo: eu vou fazer outros cursos nessa escola. Porque a escola e alguns de seus cursos me instigam muito. E eu descobri que eu sou movido por desafios e novidades. E eu estou confirmando que planos muitas vezes são feitos para ir para o ralo.

Porque muitas vezes a vida não segue um algoritmo. Seria conveniente que a gente conseguisse prever, matematicamente, o que vai ocorrer. Mas, ao mesmo tempo em que a lei da ação e reação é válida, há o efeito borboleta, que não sei se você notou mas eu já me perdi no raciocínio. Mas não me abandone agora. Se você veio até aqui, siga firme. O negócio é que a vida é surpreendente. E isso, caros dois leitores que ainda persistem neste texto louco e sem nexo, é belo. Não se trata de viver de modo “Zeca Pagodinhesco”, só no deixa a vida me levar, vida leva eu. É apenas abrir a mão para o que há de vir. Aceitar que pode ser muito legal o caminho, às vezes mais legal ainda que simplesmente chegar ao final da viagem. Porque, como você pôde ver, viajar é comigo mesmo nesses dias. E eu escrevi, depois de algum tempo. Porque esse aqui é um blog pra chamar de meu.

Meio confuso, um tanto desconexo. Acostume-se com a frequência baixa de produção de textos e com as ideias soltas, mas que podem até  fazer sentido quando se vê com um olhar mais condescendente. Esse é o ônus de ter vindo até aqui. Obrigado se você chegou até aqui. Obrigado pela paciência, pela chance de me dar dois minutos do seu tempo. E por ter assumido o risco de ler esse texto até o fim.

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2 thoughts on “Riscos difusos de ciclos assumidos

  1. Gostei muito do texto, e enquanto tomo um merlot na varanda da casa da minha sogra em nova petrópolis penso em como assumo poucos riscos, como acabo ficando com o status quo. Embora tenha assumido alguns ao longo da vida, é bem verdade, tenho cada vez mais sido “água morna”. Talvez seja a idade, talvez seja o meu momento atual. Mas de verdade te digo amigo Contessa, Diego, Caçula, teu texto me fez pensar… Ou pode ser só o vinho…:)

    • Dediquei dois minutos e vou dedicar vários mais. Pois tem alguns trechos do teu texto que vou precisar ler várias vezes para conseguir extrair todo o valor.

Comente com o Diego

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